Céu
Quando eu pensei que sabia tudo
Me descubro em uma nova doença
Enclausurado no escuro íntimo
Na falta da minha presença.
Quando eu pensei que conhecia tudo
E que já havia ido a todo lugar
Faltava adentrar no meu intimo
Faltava a mim me explorar.
Quando você morrer de nada valerá minhas respostas
E eu não quero ser enterrado com as tuas perguntas
Pra quê tanta informação, tanta aliteração.
Se quando você morrer nada irá levar.
Dentro de dois opostos há o choque das questões
Há somente interesses entre dois seres ermitões
Quando se há o hereditário e o que se aprende na rua
Não seria o mesmo, eu sem roupa, você nua.
Mas quanto injusto foi Deus comigo
Em não me permitir conhecer meu próprio paraíso
Mas para isso é preciso se autodestruir
Para se auto-conhecer.
Mas como Deus foi injusto comigo
A ponto de não permitir que eu evolua
Asas externas de nada servem
Se não posso voar a minha própria lua.
Eu quero tocar meu próprio céu
Quero sol com chuva e o casamento da raposa
Pois se os pássaros andam
Deveria o homem também voar.
Se um dia eu aprender com Da Vinci
Assimov ou Santo Dummont
Vou voar mais “alto” que as nuvens
Não só me elevar a meio-tom.
Existe problema em querer o céu
Eu quero e se eu quero, eu consigo
Outra vez Ícaro me ajuda
Se tentar e permanecer vivo.
O meu céu pra mim é desconhecido
Sei que não me conheço por dentro
Sei que sou obra do mero acaso
E de nada vai valer tentar.
Na minha sede de alcançar
Meu oposto, meu arquiinimigo
O meu mau, o que mais abomino
Mas que a mim interessa tocar.
A voz de Deus é a voz do povo
Entra por um ouvido e sai pelo outro
Não faz a omelete sem quebrar o ovo
Não faz diferença se for tão igual.
Mas um dia Deus disse pra mim
Mesmo na certeza que eu ia discordar
Se deseja tanto esse céu
Terá a Eu permitir de lhe dar.
“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
Direi do SENHOR: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.
Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.
Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.
Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia, nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia.
Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.
Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.
Porque tu, ó SENHOR, és o meu refúgio.
No Altíssimo fizeste a tua habitação.
Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.
Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.
Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.
Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei.
Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.”
Assim sendo estarei livre para tentar
Voar
E assim
Alcançar
O
Céu.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
VISTA DE UM PONTO
Uma homenagem para minha pessoa, por Celaynne Monteiro, quase acertou, mas adorei, obrigado...
Vista de um ponto
Ao ver do meu querer o medo da tua liberdade
Ao ver do meu conhecer a atração por tua expansividade
Ao ver do meu ser a distância e a proximidade _ talvez mais aquela.
O que tu és?
Um tanto de príncipe, um tanto de devasso
Será que estes se prendem num só laço?
O laço é tua estrutura: teu corpo, tua mente.
O que tu és?
Somente, simplesmente um poeta?
Basta?
Tu te bastas de ti para viver a vida ou a vida te basta para ser-te?
Tantas perguntas, eu sei...
São reais porque desconheço teu ideal
As sei, mas não te sei.
O que tu és?
Tão contraditório a si mesmo, como o amor de Camões?
Talvez, sejas mesmo, um “eu não sigo regras”,
Disciplinado unicamente a isso
Aí evapora-te eu
E a interrogação surge como uma exclamação.
Tradicionalmente romântico?
Mutavelmente pensado?
Nitidamente desprendido do regular?
Efetiva e voluptuosamente apaixonado.
Firme e efêmero, como teu olhar a ler um poema pra mim.
Despreocupado com os limites, como teu corpo debruçado sobre a madeira.
Vivo e comprometido, como teu olhar:
Como a cor dos teus olhos comprometida com o verde da tua segunda pele.
Confusão é decifrar-te
Mas fica a esperança de aprender-te
E se missão de James Bond
Desprezarei o sete
Fixarei no formato dos zeros
Regressando a estaca zero:
O momento de olhar...
Vista de um ponto
Ao ver do meu querer o medo da tua liberdade
Ao ver do meu conhecer a atração por tua expansividade
Ao ver do meu ser a distância e a proximidade _ talvez mais aquela.
O que tu és?
Um tanto de príncipe, um tanto de devasso
Será que estes se prendem num só laço?
O laço é tua estrutura: teu corpo, tua mente.
O que tu és?
Somente, simplesmente um poeta?
Basta?
Tu te bastas de ti para viver a vida ou a vida te basta para ser-te?
Tantas perguntas, eu sei...
São reais porque desconheço teu ideal
As sei, mas não te sei.
O que tu és?
Tão contraditório a si mesmo, como o amor de Camões?
Talvez, sejas mesmo, um “eu não sigo regras”,
Disciplinado unicamente a isso
Aí evapora-te eu
E a interrogação surge como uma exclamação.
Tradicionalmente romântico?
Mutavelmente pensado?
Nitidamente desprendido do regular?
Efetiva e voluptuosamente apaixonado.
Firme e efêmero, como teu olhar a ler um poema pra mim.
Despreocupado com os limites, como teu corpo debruçado sobre a madeira.
Vivo e comprometido, como teu olhar:
Como a cor dos teus olhos comprometida com o verde da tua segunda pele.
Confusão é decifrar-te
Mas fica a esperança de aprender-te
E se missão de James Bond
Desprezarei o sete
Fixarei no formato dos zeros
Regressando a estaca zero:
O momento de olhar...
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sábado, 21 de novembro de 2009
YUMI
Yumi
Eu durmo com a janela aberta
Na minha inútil certeza incerta
Esperando tua visita, vadia
Sonhando com o dia
Em que você irá entrar como o ladrão
Com uma arma na mão
E me roubar a dignidade.
Mas quase nunca estou só
Tem um animal felino na minha cama
Que me usa, que me ama
Ela deita e ronrona
E dorme e sonha
Seus prazeres egoístas.
É a onça vagabunda que vaga nos telhados
E eu gato vadio
Bicho do mato
Maldito no cio
Só durmo vazio na tua presença
Quando ela pra mim resolve cantar
A sua doce canção de ninar
Para assim afastar
Os espíritos noturnos que infestam a consciência.
Ela não diz que me ama
Mas seu olhar sacana
Falso, mas inciso
Tem muito mais que preciso
Sou eu menino prodígio
Quando estou perto de ti
Ela usufrui o meu prestigio de lhe servir.
Ela só dorme quando chego
Mas pra ela tanto faz
Se estou bêbado ou feliz
Ela cura o meu porre por igual
Por isso sou seu servo mais fiel
Sou seu animal irracional.
Ela é meu lume fluorescente dos espíritos ancestrais
Eu carrego o espírito do samurai derrotado nas batalhas
O nome do meu nome dos traços orientais
Filha, hoje eu não volto pra casa
Feche as portas e as janelas e durma em paz.
Eu durmo com a janela aberta
Na minha inútil certeza incerta
Esperando tua visita, vadia
Sonhando com o dia
Em que você irá entrar como o ladrão
Com uma arma na mão
E me roubar a dignidade.
Mas quase nunca estou só
Tem um animal felino na minha cama
Que me usa, que me ama
Ela deita e ronrona
E dorme e sonha
Seus prazeres egoístas.
É a onça vagabunda que vaga nos telhados
E eu gato vadio
Bicho do mato
Maldito no cio
Só durmo vazio na tua presença
Quando ela pra mim resolve cantar
A sua doce canção de ninar
Para assim afastar
Os espíritos noturnos que infestam a consciência.
Ela não diz que me ama
Mas seu olhar sacana
Falso, mas inciso
Tem muito mais que preciso
Sou eu menino prodígio
Quando estou perto de ti
Ela usufrui o meu prestigio de lhe servir.
Ela só dorme quando chego
Mas pra ela tanto faz
Se estou bêbado ou feliz
Ela cura o meu porre por igual
Por isso sou seu servo mais fiel
Sou seu animal irracional.
Ela é meu lume fluorescente dos espíritos ancestrais
Eu carrego o espírito do samurai derrotado nas batalhas
O nome do meu nome dos traços orientais
Filha, hoje eu não volto pra casa
Feche as portas e as janelas e durma em paz.
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sábado, 7 de novembro de 2009
O MESTRE DOS BRINQUEDOS
O Mestre dos Brinquedos
O Mestre dos Brinquedos gosta de mandar
Não queremos mais o Mestre dos Brinquedos mandando na situação
Não queremos mais fazer o que o mestre mandou
Não queremos mais brincar.
Ele mora numa casa de bonecas e sonha as Barbies escravas sexuais
Numa história em quadrinhos ou um desenho animado
Mas nós não temos mais medo
Porque o Mestre dos Brinquedos é de brinquedo.
A revolta dos brinquedos velhos esquecidos no sótão
Mamãe, não tenho mais medo de descer no porão
E vou começar uma revolução
O Mestre dos Brinquedos é um brinquedo de miriti
Fogo no miriti!!!
O Mestre dos Brinquedos é um grande fascista
O Mestre dos Brinquedos não vai mais enganar o povo
Chega dessa aventura insana e surrealista
Não passa desenho legal de manhã na Globo
E os servos fiéis são os soldados de brinquedos.
O mestre dos brinquedos vive uma grande mentira
Ela só manda nas bonecas porque elas não têm nada na cabeça
É tudo de plástico.
O Mestre dos Brinquedos gosta de mandar
Não queremos mais o Mestre dos Brinquedos mandando na situação
Não queremos mais fazer o que o mestre mandou
Não queremos mais brincar.
Ele mora numa casa de bonecas e sonha as Barbies escravas sexuais
Numa história em quadrinhos ou um desenho animado
Mas nós não temos mais medo
Porque o Mestre dos Brinquedos é de brinquedo.
A revolta dos brinquedos velhos esquecidos no sótão
Mamãe, não tenho mais medo de descer no porão
E vou começar uma revolução
O Mestre dos Brinquedos é um brinquedo de miriti
Fogo no miriti!!!
O Mestre dos Brinquedos é um grande fascista
O Mestre dos Brinquedos não vai mais enganar o povo
Chega dessa aventura insana e surrealista
Não passa desenho legal de manhã na Globo
E os servos fiéis são os soldados de brinquedos.
O mestre dos brinquedos vive uma grande mentira
Ela só manda nas bonecas porque elas não têm nada na cabeça
É tudo de plástico.
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UM DIA A GALINHA APRENDE A VOAR
Um dia a galinha aprende a voar
Um dia você vai descobrir que você levará muito tempo
Pra descobrir que não pode me esquecer
Que as marcas que eu deixo nas outras
Estão mais acentuadas em você.
Que hoje os discos que eu ouço
Eu não suportava te ver ouvir
Que apesar de você não gostar mais
Foi com eles que muito aprendi.
Que em todo filme de guerra
Sempre tocam canções de amor
Que é difícil guardar um segredo
Mas de você muitos guardam rancor.
O que move o poeta é a dor
O que move o poeta é a raiva
O que move o poeta é a revolta
E esses temas dão muito poemas.
Então vá, eu te deixo ir
Fui teu pai e te preparei para o mundo
Faça para ele o que não fez por mim
Atenda para ele os pedidos que eu te fiz.
Ora mas quem sou eu para discordar
Se ainda sou o sonhador
Que acredita que até a galinha um dia vai voar.
Um dia você vai descobrir que você levará muito tempo
Pra descobrir que não pode me esquecer
Que as marcas que eu deixo nas outras
Estão mais acentuadas em você.
Que hoje os discos que eu ouço
Eu não suportava te ver ouvir
Que apesar de você não gostar mais
Foi com eles que muito aprendi.
Que em todo filme de guerra
Sempre tocam canções de amor
Que é difícil guardar um segredo
Mas de você muitos guardam rancor.
O que move o poeta é a dor
O que move o poeta é a raiva
O que move o poeta é a revolta
E esses temas dão muito poemas.
Então vá, eu te deixo ir
Fui teu pai e te preparei para o mundo
Faça para ele o que não fez por mim
Atenda para ele os pedidos que eu te fiz.
Ora mas quem sou eu para discordar
Se ainda sou o sonhador
Que acredita que até a galinha um dia vai voar.
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EU QUIS ME CONTER
Eu quis me conter
Antes de chegar em casa ela no táxi debatia
Sobre arte moderna, música e poesia.
Isso me deixava excitado,
Eu quis me conter.
Ao entrar em casa mexeu nos meus discos e quis ouvir blues
Ela mesma abriu a garrafa de vinho e deixou a sala à meia-luz
Isso me deixou louco,
Eu quis me conter.
Então ela sugeriu subir para o quarto e esquecer o mundo
Subi com ela para o quarto para o terceiro ato, o mais profundo
Na porta do quarto por um segundo,
Eu quis me conter.
Antes de deitar na cama ela tirou a roupa e me recitou um poema
Ela era linda e intelectual uma mistura que era mim um problema
Neste exato momento eu me apaixonei,
Mas quis me conter.
Ela me chupou com diplomacia como nenhuma outra havia feito antes
Eu enlouquecia e me debatia na loucura dos novos amantes
Perpetuei minha vontade de ir mais fundo,
Esqueci de me conter.
Ela deitou em seguida pedindo pra que eu fizesse o que eu queria com ela
Fiz tudo até o que eu não queria, pensei Deus do céu, que mulher era aquela?
Fomos onde ninguém jamais esteve,
Não pude evitar.
No momento máximo de tudo, quando a mágica acordou até a criatura morta
Retornando de volta ao nosso mundo, alguém bateu à porta
Então lembrei por que eu quis me conter,
Acordamos a mamãe.
Nunca mais outra vez uma mulher como essa na minha cama
Até hoje minha mãe reclama, por tudo agora ela fala
E prevenida como sempre sendo mãe
Passou a dormir na sala.
Antes de chegar em casa ela no táxi debatia
Sobre arte moderna, música e poesia.
Isso me deixava excitado,
Eu quis me conter.
Ao entrar em casa mexeu nos meus discos e quis ouvir blues
Ela mesma abriu a garrafa de vinho e deixou a sala à meia-luz
Isso me deixou louco,
Eu quis me conter.
Então ela sugeriu subir para o quarto e esquecer o mundo
Subi com ela para o quarto para o terceiro ato, o mais profundo
Na porta do quarto por um segundo,
Eu quis me conter.
Antes de deitar na cama ela tirou a roupa e me recitou um poema
Ela era linda e intelectual uma mistura que era mim um problema
Neste exato momento eu me apaixonei,
Mas quis me conter.
Ela me chupou com diplomacia como nenhuma outra havia feito antes
Eu enlouquecia e me debatia na loucura dos novos amantes
Perpetuei minha vontade de ir mais fundo,
Esqueci de me conter.
Ela deitou em seguida pedindo pra que eu fizesse o que eu queria com ela
Fiz tudo até o que eu não queria, pensei Deus do céu, que mulher era aquela?
Fomos onde ninguém jamais esteve,
Não pude evitar.
No momento máximo de tudo, quando a mágica acordou até a criatura morta
Retornando de volta ao nosso mundo, alguém bateu à porta
Então lembrei por que eu quis me conter,
Acordamos a mamãe.
Nunca mais outra vez uma mulher como essa na minha cama
Até hoje minha mãe reclama, por tudo agora ela fala
E prevenida como sempre sendo mãe
Passou a dormir na sala.
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ANA QUER TREPAR
Ana quer trepar
, quando Ana quer trepar
, eu não posso negar
, nem questiono
, não discordo
, tenho que estar pronto
, quando Ana quer trepar.
, quando Ana quer trepar
, nada a impede
, ela quer
, e quer logo
, e pode ser em qualquer lugar
, quando Ana quer trepar.
, quando Ana quer trepar
, ela consegue
, ela faz
, eu aceito
, estou sempre preparado
, quando Ana quer trepar.
, quando Ana quer trepar
, ela não conhece fim
, nunca se satisfaz
, sempre quer mais
, nunca volto atrás
, quando Ana quer trepar.
, e se Ana não trepa agora
, Ana chora
, se descabela
, implora
, quando quer trepar.
, quando Ana quer trepar
, eu não posso negar
, nem questiono
, não discordo
, tenho que estar pronto
, quando Ana quer trepar.
, quando Ana quer trepar
, nada a impede
, ela quer
, e quer logo
, e pode ser em qualquer lugar
, quando Ana quer trepar.
, quando Ana quer trepar
, ela consegue
, ela faz
, eu aceito
, estou sempre preparado
, quando Ana quer trepar.
, quando Ana quer trepar
, ela não conhece fim
, nunca se satisfaz
, sempre quer mais
, nunca volto atrás
, quando Ana quer trepar.
, e se Ana não trepa agora
, Ana chora
, se descabela
, implora
, quando quer trepar.
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A ESTRELA
meu primeiro cordel, mal feito mas cordel...
A Estrela
Ela me pediu uma coisa
Mas isso eu não posso dar
Ela pediu uma estrela do céu
Aquela no alto a brilhar
Pensei em mil maneiras
De poder essa estrela buscar
Talvez se eu virar astronauta
Ou aprender a voar
Perguntei se não servia
Uma linda estrela do mar
Mas tem que ser a estrela que brilha
No céu a flutuar
Eu falei pra ela que não
Que problema eu ia arrumar
Eu não posso mexer nessa estrela
Se foi Deus que pôs ela lá
Mas ela insistiu mais ainda
E disse pr’um jeito eu dar
Refleti sobre a situação
E pensei se valia eu tentar
Pensei em usar uma escada
Mas nenhuma iria chegar
Nem tenho dormido a noite
Tentando essa estrela pegar
Oh estrela vê se brilha de dia
Pra noite eu poder descansar
Oh mulher complicada
Nada pode ver que tudo quer comprar
E se eu não lhe der essa estrela
Na minha cara ela nunca mais vai olhar
Homem apaixonado é uma desgraça
Deixa a mulher deitar e rolar
Então pensei mais uma vez
Se valia eu me apaixonar
Até que ela não é lá essas Coca-cola
Mas é um guaraná
Até dá pra passar uma chuva
Já não sei quanto a casar
Eita! Mulher exigente
Imagina se com ela eu morar
Todo dia ela querendo uma coisa
E olha a briga se eu não puder dar
Pensando melhor, não
Melhor eu nem tentar
Se ela quiser uma estrela
Ela mesma que vá buscar.
A Estrela
Ela me pediu uma coisa
Mas isso eu não posso dar
Ela pediu uma estrela do céu
Aquela no alto a brilhar
Pensei em mil maneiras
De poder essa estrela buscar
Talvez se eu virar astronauta
Ou aprender a voar
Perguntei se não servia
Uma linda estrela do mar
Mas tem que ser a estrela que brilha
No céu a flutuar
Eu falei pra ela que não
Que problema eu ia arrumar
Eu não posso mexer nessa estrela
Se foi Deus que pôs ela lá
Mas ela insistiu mais ainda
E disse pr’um jeito eu dar
Refleti sobre a situação
E pensei se valia eu tentar
Pensei em usar uma escada
Mas nenhuma iria chegar
Nem tenho dormido a noite
Tentando essa estrela pegar
Oh estrela vê se brilha de dia
Pra noite eu poder descansar
Oh mulher complicada
Nada pode ver que tudo quer comprar
E se eu não lhe der essa estrela
Na minha cara ela nunca mais vai olhar
Homem apaixonado é uma desgraça
Deixa a mulher deitar e rolar
Então pensei mais uma vez
Se valia eu me apaixonar
Até que ela não é lá essas Coca-cola
Mas é um guaraná
Até dá pra passar uma chuva
Já não sei quanto a casar
Eita! Mulher exigente
Imagina se com ela eu morar
Todo dia ela querendo uma coisa
E olha a briga se eu não puder dar
Pensando melhor, não
Melhor eu nem tentar
Se ela quiser uma estrela
Ela mesma que vá buscar.
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
DRA. SÍLVIA ANDRADE
Dra Silvia Andrade
A doutora Sílvia Andrade sempre fala a verdade
Me esconde só o que eu não preciso saber
Ela é precisa e incisa e corta como um bisturi
Doutora Silvia Andrade me ensina a mentir
Quando ela solta o cabelo depois do expediente
Ela linda toda de branco toda exigente
Como eu faço pra ter a palavra certa na hora certa?
Como eu faço pra ter tanta certeza?
Como eu faço para obter tanta frieza?
Como eu posso te olhar nos olhos e não me apaixonar?
Segura minha mão pra que eu não sofra tanto
Arranca de mim o câncer do sofrer
A doença da tua falta
O vício da vontade de te ter
Tira de mim a desejo do ir contra o teu juramento
Me coloca em teu colo
No meu prontuário
Arruma um horário pra mim
Parcela a tua consulta
Em suaves prestações
Em frases contidas de aliterações
E nos reclames de meus “ais”
Me conceba como o pecador sem dor
Deus abençoe a ciência e o progresso
E me condene antes do excesso
Porque nisso serei pecador
Me alimenta dessa luz
Me livra do SUS
Me livra do “não morrer” em tua cama
Em teu leito vazio
Doutora Sílvia Andrade me fale a verdade
O que eu tenho é grave?
A doutora Sílvia Andrade sempre fala a verdade
Me esconde só o que eu não preciso saber
Ela é precisa e incisa e corta como um bisturi
Doutora Silvia Andrade me ensina a mentir
Quando ela solta o cabelo depois do expediente
Ela linda toda de branco toda exigente
Como eu faço pra ter a palavra certa na hora certa?
Como eu faço pra ter tanta certeza?
Como eu faço para obter tanta frieza?
Como eu posso te olhar nos olhos e não me apaixonar?
Segura minha mão pra que eu não sofra tanto
Arranca de mim o câncer do sofrer
A doença da tua falta
O vício da vontade de te ter
Tira de mim a desejo do ir contra o teu juramento
Me coloca em teu colo
No meu prontuário
Arruma um horário pra mim
Parcela a tua consulta
Em suaves prestações
Em frases contidas de aliterações
E nos reclames de meus “ais”
Me conceba como o pecador sem dor
Deus abençoe a ciência e o progresso
E me condene antes do excesso
Porque nisso serei pecador
Me alimenta dessa luz
Me livra do SUS
Me livra do “não morrer” em tua cama
Em teu leito vazio
Doutora Sílvia Andrade me fale a verdade
O que eu tenho é grave?
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009
FANTASMA
Fantasma
Quando a música acaba
As luzes acendem
A verdade aparece
Quando a bebida acaba
Os lábios secam
A alma seca
Quando amanhece
O sol vai apagando as memórias
Da noite passada
E o cigarro que te distrai
Dura dois minutos apenas
E é uma pena saber
Que você não estava preparada
Porque a lembrança será sempre uma cilada
Um milhão trezentas e quarenta e duas mil vezes o teu karma
Porque toda noite
Você se deita com um fantasma
Assim fica difícil enterrar os próprios mortos
Principalmente se você tem o que os mantém vivos
Difícil levar isto a sério
Quando se mora num cemitério
Quando se tem o mau a sete palmos dos teus pés
E bate na mesma tecla
Todos os dias antes de dormir
E sonha o mesmo sonho
Sem nexo
E despeja na alma
Bebida e sexo
E vaga a noite inteira
Tentando dormir
Tentando fugir
Sem ter pra onde ir
Assim
As noites vão te consumindo
Vão te levando e te trazendo
Pro mesmo lugar
Fazendo você andar em círculos
Dando voltas na própria existência
Sentindo um aperto no peito
Uma vontade louca de gritar
De por pra fora esse mal
De expulsar o fantasma
Que deita toda noite
Contigo na cama
Mas você só tem lágrimas
E somente lágrimas não podem expulsá-lo
Não podem exorcizá-lo
E faz de tudo pra esquecer
Mas ele está preso a você
Está algemado nos teus braços
Acorrentado aos seus pés
E ele come contigo na mesa
Te faz dormir com a luz acesa
Ele deita contigo na cama
Ele te ama
Por isso não te deixa
Por isso não se queixa
E não te ouve reclamar
Não liga se você chora
Pedindo pra que ele vá embora
Ele nunca vai te deixar
E implora pra que ele morra
Mas ele não morre
E acha que ele te fere
Mas quem se fere é você mesmo
Atira no escuro
E se mata
Mas não morre
E volta
E respira
E conta até dez
E olha pro lado
Lá está ele
O incômodo
O vulto branco
Te olhando
Mas você não vê os olhos dele
Porque esses olhos não olham pra você
Mas você vê
Apenas o sorriso
O sorriso no escuro
Lhe arrancando a vida
Goela a acima
Lhe enfiando a dor
Goela abaixo
Então você descobre
Que não pode lutar
Que já não tem forças
Então deita
E cede
E deixa ele fazer o trabalho sujo
E ele te devora
E se lambuza
E faz muita sujeira
A noite inteira
E você fecha os olhos
E reza pra acabar
Mas o tempo não está ao seu favor
E demora
E dói
E você pensa em como fugir
Nas não tem portas
E nem janelas
Então de repente
Ele se levanta
Como satisfeito
Se veste
E se vai
Sem falar nada
Uma só palavra
Daquela boca nada sai
E você vira
E tenta dormir
Mas o sono não vem
A dor não deixa
Porque no outro dia
Você sabe que ele vai estar lá
Vai te esperar
Na tua cama
Sem dizer uma palavra
Como um fantasma
Uma lembrança
Latente na memória.
Quando a música acaba
As luzes acendem
A verdade aparece
Quando a bebida acaba
Os lábios secam
A alma seca
Quando amanhece
O sol vai apagando as memórias
Da noite passada
E o cigarro que te distrai
Dura dois minutos apenas
E é uma pena saber
Que você não estava preparada
Porque a lembrança será sempre uma cilada
Um milhão trezentas e quarenta e duas mil vezes o teu karma
Porque toda noite
Você se deita com um fantasma
Assim fica difícil enterrar os próprios mortos
Principalmente se você tem o que os mantém vivos
Difícil levar isto a sério
Quando se mora num cemitério
Quando se tem o mau a sete palmos dos teus pés
E bate na mesma tecla
Todos os dias antes de dormir
E sonha o mesmo sonho
Sem nexo
E despeja na alma
Bebida e sexo
E vaga a noite inteira
Tentando dormir
Tentando fugir
Sem ter pra onde ir
Assim
As noites vão te consumindo
Vão te levando e te trazendo
Pro mesmo lugar
Fazendo você andar em círculos
Dando voltas na própria existência
Sentindo um aperto no peito
Uma vontade louca de gritar
De por pra fora esse mal
De expulsar o fantasma
Que deita toda noite
Contigo na cama
Mas você só tem lágrimas
E somente lágrimas não podem expulsá-lo
Não podem exorcizá-lo
E faz de tudo pra esquecer
Mas ele está preso a você
Está algemado nos teus braços
Acorrentado aos seus pés
E ele come contigo na mesa
Te faz dormir com a luz acesa
Ele deita contigo na cama
Ele te ama
Por isso não te deixa
Por isso não se queixa
E não te ouve reclamar
Não liga se você chora
Pedindo pra que ele vá embora
Ele nunca vai te deixar
E implora pra que ele morra
Mas ele não morre
E acha que ele te fere
Mas quem se fere é você mesmo
Atira no escuro
E se mata
Mas não morre
E volta
E respira
E conta até dez
E olha pro lado
Lá está ele
O incômodo
O vulto branco
Te olhando
Mas você não vê os olhos dele
Porque esses olhos não olham pra você
Mas você vê
Apenas o sorriso
O sorriso no escuro
Lhe arrancando a vida
Goela a acima
Lhe enfiando a dor
Goela abaixo
Então você descobre
Que não pode lutar
Que já não tem forças
Então deita
E cede
E deixa ele fazer o trabalho sujo
E ele te devora
E se lambuza
E faz muita sujeira
A noite inteira
E você fecha os olhos
E reza pra acabar
Mas o tempo não está ao seu favor
E demora
E dói
E você pensa em como fugir
Nas não tem portas
E nem janelas
Então de repente
Ele se levanta
Como satisfeito
Se veste
E se vai
Sem falar nada
Uma só palavra
Daquela boca nada sai
E você vira
E tenta dormir
Mas o sono não vem
A dor não deixa
Porque no outro dia
Você sabe que ele vai estar lá
Vai te esperar
Na tua cama
Sem dizer uma palavra
Como um fantasma
Uma lembrança
Latente na memória.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
A VALSA CIBERNÉTICA
A Valsa Cibernética
Ajude a tecnologia meu amor
Transe com meu computador
Faça nele o filho do progresso
Abra o portal que eu atravesso.
Não me deixe morrer do mal súbito
Pelo execrável vicio que me levará ao óbito
Minha vida é miserável, meu bem
Estou destinado à ferrugem.
Se não me queres
É porque sou máquina
E só como máquina
Podes me querer
Computador meu companheiro
Certo de que ela irá ler
Entregue a ela os poemas
Que escrevo quando estou só no banheiro.
Só tu tens as chaves
Do cárcere desta desdita tecnologia
E és cúmplice da minha penúria em demasia
A ti consagro meu deísmo com deveras tardia.
Somos filhos da ciência
Frutos da inconseqüência
Do descaso do acaso
Os fantasmas do futuro.
Mas se achas que estou,
Sofrendo,
Por teu amor,
Saiba que nem sinto,
Muitas vezes até minto,
Sou um amontoado de chips,
Sou um,
Computador.
Ajude a tecnologia meu amor
Transe com meu computador
Faça nele o filho do progresso
Abra o portal que eu atravesso.
Não me deixe morrer do mal súbito
Pelo execrável vicio que me levará ao óbito
Minha vida é miserável, meu bem
Estou destinado à ferrugem.
Se não me queres
É porque sou máquina
E só como máquina
Podes me querer
Computador meu companheiro
Certo de que ela irá ler
Entregue a ela os poemas
Que escrevo quando estou só no banheiro.
Só tu tens as chaves
Do cárcere desta desdita tecnologia
E és cúmplice da minha penúria em demasia
A ti consagro meu deísmo com deveras tardia.
Somos filhos da ciência
Frutos da inconseqüência
Do descaso do acaso
Os fantasmas do futuro.
Mas se achas que estou,
Sofrendo,
Por teu amor,
Saiba que nem sinto,
Muitas vezes até minto,
Sou um amontoado de chips,
Sou um,
Computador.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009
CLUBE DOS CANALHAS 2
Clube dos Canalhas 2
Já te disseram sai dessa que esse cara não presta
Já te disseram garota ela só quer te usar
Ele só gosta de ser gostado por você
Mas ele gosta mais de te ver se arrastar.
Já te disseram ele só quer te comer
Se precisar até diz que te ama
Mas ele só pensa no próprio prazer
Ele só quer te levar pra cama.
Já te disseram esse cara vai te fazer sofrer
Vai te comer e te chamar por outro nome
Que mundos e fundos a você ele vai prometer
Mas somente enquanto ele te come.
E todos os dias o sol me acorda
O sol me corta como uma navalha
E aponta o dedo na minha cara
E diz pra mim: Você é um canalha.
E todos os dias eu ando pelas ruas
E as mulheres por mim suspiram
E se despem seminuas
E nas minhas mentiras se atiram.
As mulheres adoram os canalhas
Porque os canalhas as fazem mais mulher
Somente são homens aqueles cheios de falhas
Os pilantras, os cafajestes, os canalhas.
Aqueles que você manda embora
Mas se arrepende e chora
Pedindo pra que ele volte
Pra que ele lhe segure firme
E que não solte
Mesmo que você peça
Ou se rebele, ou se revolte
Mas só ele te agasalha
Te desconcerta
Te embaralha
E depois te deixa sem ar
Quando te beija
E você rasteja
E o deseja
Porque só ele satisfaz tuas fantasias
E você o atura quando bêbado
Só pra sentir a barba mal-feita
O palavrão
Ele te faz comer na mão
E catar as migalhas
E depois te abandona
E volta
Ao Clube dos Canalhas.
Já te disseram sai dessa que esse cara não presta
Já te disseram garota ela só quer te usar
Ele só gosta de ser gostado por você
Mas ele gosta mais de te ver se arrastar.
Já te disseram ele só quer te comer
Se precisar até diz que te ama
Mas ele só pensa no próprio prazer
Ele só quer te levar pra cama.
Já te disseram esse cara vai te fazer sofrer
Vai te comer e te chamar por outro nome
Que mundos e fundos a você ele vai prometer
Mas somente enquanto ele te come.
E todos os dias o sol me acorda
O sol me corta como uma navalha
E aponta o dedo na minha cara
E diz pra mim: Você é um canalha.
E todos os dias eu ando pelas ruas
E as mulheres por mim suspiram
E se despem seminuas
E nas minhas mentiras se atiram.
As mulheres adoram os canalhas
Porque os canalhas as fazem mais mulher
Somente são homens aqueles cheios de falhas
Os pilantras, os cafajestes, os canalhas.
Aqueles que você manda embora
Mas se arrepende e chora
Pedindo pra que ele volte
Pra que ele lhe segure firme
E que não solte
Mesmo que você peça
Ou se rebele, ou se revolte
Mas só ele te agasalha
Te desconcerta
Te embaralha
E depois te deixa sem ar
Quando te beija
E você rasteja
E o deseja
Porque só ele satisfaz tuas fantasias
E você o atura quando bêbado
Só pra sentir a barba mal-feita
O palavrão
Ele te faz comer na mão
E catar as migalhas
E depois te abandona
E volta
Ao Clube dos Canalhas.
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sábado, 10 de outubro de 2009
FUI ASSASSINADO BRUTALMENTE
Fui Assassinado Brutalmente
Ao dobrar a esquina na Cipriano Santos
Um ônibus dobrou na minha frente em alta velocidade
Quando eu pensei ter escapado, os gritos eram tantos
Que eu jurava ter sido vítima de uma fatalidade.
Violinos mórbidos dilaceravam o som daquela gritaria
Em volta de mim olhos incisos me devoravam por conta da curiosidade
Uma escuridão passou a tomar conta da minha visão, eu desfalecia
E já me cobriam com o jornal que noticiava essa barbaridade.
Salivando a ferrugem do sangue eu avisava que não estava morto
Eu nadava na poça de sangue da minha própria tragédia
Então flutuei pra ver o meu corpo de alto, torto
Ri da minha própria cara me fiz motivo de comédia.
Do outro lado da rua eu vi meus pertences espalhados
E junto deles, estava lá, ainda batia meu coração
O choque foi tão grave que deixou meus órgãos estraçalhados
E meu coração que saiu pela boca abandonado no chão.
Então recobrando meus pensamentos descobri impressionado
O ônibus havia passado muito longe de mim
O que causou minha morte brutal não foi o coletivo lotado
Foi seu sorriso na janela do lotação, sem me olhar, meu fim.
Advim
Nunca mais me distraio assim
Não me abestalho como o arlequim
Não quero mais visitar o jardim
Pra ver o querubim
Com cheiro de jasmim
Vestindo brim
Com seu bandolim
Pintando o carmim
Tomando gim
E tirando o gosto com o capim.
Não quero mais festa com festim
Rezar a missa em latim
Nem muro de Berlim
Nem voar com o Zepelim
Pra não ter mais isso daria um rim
Teu sorriso sempre foi meu fim
Mas até que não é tão ruim
Eu que exagero sim.
Ao dobrar a esquina na Cipriano Santos
Um ônibus dobrou na minha frente em alta velocidade
Quando eu pensei ter escapado, os gritos eram tantos
Que eu jurava ter sido vítima de uma fatalidade.
Violinos mórbidos dilaceravam o som daquela gritaria
Em volta de mim olhos incisos me devoravam por conta da curiosidade
Uma escuridão passou a tomar conta da minha visão, eu desfalecia
E já me cobriam com o jornal que noticiava essa barbaridade.
Salivando a ferrugem do sangue eu avisava que não estava morto
Eu nadava na poça de sangue da minha própria tragédia
Então flutuei pra ver o meu corpo de alto, torto
Ri da minha própria cara me fiz motivo de comédia.
Do outro lado da rua eu vi meus pertences espalhados
E junto deles, estava lá, ainda batia meu coração
O choque foi tão grave que deixou meus órgãos estraçalhados
E meu coração que saiu pela boca abandonado no chão.
Então recobrando meus pensamentos descobri impressionado
O ônibus havia passado muito longe de mim
O que causou minha morte brutal não foi o coletivo lotado
Foi seu sorriso na janela do lotação, sem me olhar, meu fim.
Advim
Nunca mais me distraio assim
Não me abestalho como o arlequim
Não quero mais visitar o jardim
Pra ver o querubim
Com cheiro de jasmim
Vestindo brim
Com seu bandolim
Pintando o carmim
Tomando gim
E tirando o gosto com o capim.
Não quero mais festa com festim
Rezar a missa em latim
Nem muro de Berlim
Nem voar com o Zepelim
Pra não ter mais isso daria um rim
Teu sorriso sempre foi meu fim
Mas até que não é tão ruim
Eu que exagero sim.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
CARTAZ SHOW MADRUGA FEST NO CAVERNA CLUB (ANTIGO LIVERPOOL)
Clique na imagem para ampliá-laHoje estarei no palco do Madruga Fest com meus companheiros do Jonny Money, muito Rock and Roll e todo mundo dançando, gosta de Ramones? haverá surpresas então...
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VERSOS PARA UMA GAROTA QUE ACABOU DE DAR O PRIMEIRO PASSO NA VIDA (OU TUDO ISSO JÁ FOI DITO ANTES)
Versos para uma garota que acabou de dar o primeiro passo na vida (ou tudo isso já foi dito antes).
Triste daqueles que passam o tempo chorando o leite derramado
Que se lamentam por não poderem mudar o passado
Que se arrependem de algo que já foi sentenciado
Mas que nada tentam fazer para continuar o inacabado.
Ninguém é o dono da verdade absoluta
Ninguém é o dono das suas verdades
Você é livre, você cala, você escuta
Quando bem entender.
Você pode perder seu tempo tentando descobrir
Onde está o certo ou o errado
Mas quem cria essa sentença é você
Só você tem os olhos para enxergar
Leve-os até onde eles puderem ver
Até onde eles poderem alcançar.
Pra que passar o tempo que lhe resta pensando
No porque de tudo mudar
Se algo muda é sempre pra melhor
Depende só do ponto de vista de quem observar essa mudança
Ou da sua iniciativa pra aceitar que as coisas também mudam.
Então cantemos assim:
(tente se puder)
“Não queremos a fórmula secreta da felicidade
Não precisamos decorar a bíblia
Muito menos um Vademecum
Nem as receitas mágicas do amor
Nem as trapaças e as manhas do baralho
Eu não tenho obrigação de decorar um hino
Eu não tenho obrigação de ter obrigação
As plantas que só crescem em ambientes propícios
Com água e luz e terra fértil
Mas é preciso as adversidades
Para que no mínimo
Possamos entender que ainda não estamos mortos
Tudo em nome da razão.”
Triste daqueles que passam o tempo chorando o leite derramado
Que se lamentam por não poderem mudar o passado
Que se arrependem de algo que já foi sentenciado
Mas que nada tentam fazer para continuar o inacabado.
Ninguém é o dono da verdade absoluta
Ninguém é o dono das suas verdades
Você é livre, você cala, você escuta
Quando bem entender.
Você pode perder seu tempo tentando descobrir
Onde está o certo ou o errado
Mas quem cria essa sentença é você
Só você tem os olhos para enxergar
Leve-os até onde eles puderem ver
Até onde eles poderem alcançar.
Pra que passar o tempo que lhe resta pensando
No porque de tudo mudar
Se algo muda é sempre pra melhor
Depende só do ponto de vista de quem observar essa mudança
Ou da sua iniciativa pra aceitar que as coisas também mudam.
Então cantemos assim:
(tente se puder)
“Não queremos a fórmula secreta da felicidade
Não precisamos decorar a bíblia
Muito menos um Vademecum
Nem as receitas mágicas do amor
Nem as trapaças e as manhas do baralho
Eu não tenho obrigação de decorar um hino
Eu não tenho obrigação de ter obrigação
As plantas que só crescem em ambientes propícios
Com água e luz e terra fértil
Mas é preciso as adversidades
Para que no mínimo
Possamos entender que ainda não estamos mortos
Tudo em nome da razão.”
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
OS SINOS DE BELÉM COMEÇAM A SOAR
Os sinos de Belém começam a soar
Já estive em lugares muito complicados
Nas ilhas da loucura
Nos mares do barato.
E por vezes perdi a cabeça
Perdi o controle
Perdi a noção do tempo e espaço
Nos braços alheios
Das mulheres severas
Carinhosas e carniceiras.
Já usei tudo
Já fiz de tudo um pouco
Já fui são, quase louco.
Já comi do fruto proibido
Já dancei sem música
Já fui minha própria tribo.
Já bebi daquela água
Já provei o teu veneno
Mas vivi
Já fui
Já estive
Já provei
Já não quero mais
Eu disse pra você
Que eu sei gostar
Que gosto mesmo
Que amo até o fim
Mas que de hoje em diante
Só vou gostar de quem gosta de mim.
Já estive em lugares muito complicados
Nas ilhas da loucura
Nos mares do barato.
E por vezes perdi a cabeça
Perdi o controle
Perdi a noção do tempo e espaço
Nos braços alheios
Das mulheres severas
Carinhosas e carniceiras.
Já usei tudo
Já fiz de tudo um pouco
Já fui são, quase louco.
Já comi do fruto proibido
Já dancei sem música
Já fui minha própria tribo.
Já bebi daquela água
Já provei o teu veneno
Mas vivi
Já fui
Já estive
Já provei
Já não quero mais
Eu disse pra você
Que eu sei gostar
Que gosto mesmo
Que amo até o fim
Mas que de hoje em diante
Só vou gostar de quem gosta de mim.
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
POR QUE SEMPRE MANDAMOS EMBORA QUEM NOS AMA?
Por que sempre mandamos embora quem nos ama?
Ora por que gostamos de aventuras
E de correr riscos
Gostamos do quente e não do morno
Gostamos do perigo.
Gostamos de ver os outros sofrerem por nós
É mais gostoso saber que alguém chora por você
Te faz se sentir mais querida por si mesma
Por que não gostamos de gostar, mas sim de sermos gostados.
Amar é fácil, todo mundo ama
Quando queremos algo
Ou quando queremos levar alguém pra cama.
O que é certo pra mim
Dificilmente será pra você
Raramente você vai entender o por que
Te resta calar-se e aceitar.
Sempre falamos o que não devíamos na hora errada
Só pra que nos corrijam
E sempre seremos mais felizes quando estamos chamando a atenção.
Eu me sinto mais contente quando a gente transa
E na cama
Você fala que me ama
Só por dizer
Só pra satisfazer
Só pra alimentar o ego
Pra fingir de surdo
Se fazer de cego.
Adoro quando estás com raiva
E de tudo fazes um drama
Ansioso eu fico
Pra ver a lágrima que derrama
Salve aquela que não me ama
Salve a garota de programa
A Dama Suprema do Melodrama
Se quiseres que eu te queira, não me queira
Se quiseres que eu te ame, não se engane
Espere que lhe mande um telegrama
Com a pergunta que não quer calar
Por que sempre mandamos embora quem nos ama?
Ora por que gostamos de aventuras
E de correr riscos
Gostamos do quente e não do morno
Gostamos do perigo.
Gostamos de ver os outros sofrerem por nós
É mais gostoso saber que alguém chora por você
Te faz se sentir mais querida por si mesma
Por que não gostamos de gostar, mas sim de sermos gostados.
Amar é fácil, todo mundo ama
Quando queremos algo
Ou quando queremos levar alguém pra cama.
O que é certo pra mim
Dificilmente será pra você
Raramente você vai entender o por que
Te resta calar-se e aceitar.
Sempre falamos o que não devíamos na hora errada
Só pra que nos corrijam
E sempre seremos mais felizes quando estamos chamando a atenção.
Eu me sinto mais contente quando a gente transa
E na cama
Você fala que me ama
Só por dizer
Só pra satisfazer
Só pra alimentar o ego
Pra fingir de surdo
Se fazer de cego.
Adoro quando estás com raiva
E de tudo fazes um drama
Ansioso eu fico
Pra ver a lágrima que derrama
Salve aquela que não me ama
Salve a garota de programa
A Dama Suprema do Melodrama
Se quiseres que eu te queira, não me queira
Se quiseres que eu te ame, não se engane
Espere que lhe mande um telegrama
Com a pergunta que não quer calar
Por que sempre mandamos embora quem nos ama?
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O SENSO DAS COISAS
esta é muito velha nem sei de quando
O senso das coisas
Necessito de mais negações
Pra poder não mais olhar na tua cara
E poder criar coragem
Pra não mais passar na porta da tua casa.
Necessito de mais filosofias
Para a minha triste pobre vida
E preciso de algum Metiolate
Para amenizar a dor da ferida.
Como se isso fosse mudar,
Quando o senso viesse perguntar,
Quanto é o meu salário?
E como eu faço para me sustentar?
Se eu uso minhas pernas,
Elas podem não suportar,
Ou se eu uso as paredes,
Pra poder me apoiar.
Necessito saber mais
Qual é o meu nível mental
E agora eu quero mais
De alteradores do que eu chamo de real.
Eu preciso amar as pessoas
Como se não houvesse o amanhã,
Eu preciso dormir cedo
Pra quem sabe trabalhar de manhã.
Preciso ver TV
Pra quem sabe me alienar,
Pra poder saber
Que cigarros me obrigarão a fumar.
Necessito de comida light
Pra poder não engordar
Os venenos enlatados
E cinco metros de corda para eu me enforcar.
O senso das coisas
Necessito de mais negações
Pra poder não mais olhar na tua cara
E poder criar coragem
Pra não mais passar na porta da tua casa.
Necessito de mais filosofias
Para a minha triste pobre vida
E preciso de algum Metiolate
Para amenizar a dor da ferida.
Como se isso fosse mudar,
Quando o senso viesse perguntar,
Quanto é o meu salário?
E como eu faço para me sustentar?
Se eu uso minhas pernas,
Elas podem não suportar,
Ou se eu uso as paredes,
Pra poder me apoiar.
Necessito saber mais
Qual é o meu nível mental
E agora eu quero mais
De alteradores do que eu chamo de real.
Eu preciso amar as pessoas
Como se não houvesse o amanhã,
Eu preciso dormir cedo
Pra quem sabe trabalhar de manhã.
Preciso ver TV
Pra quem sabe me alienar,
Pra poder saber
Que cigarros me obrigarão a fumar.
Necessito de comida light
Pra poder não engordar
Os venenos enlatados
E cinco metros de corda para eu me enforcar.
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OVELHA NEGRA
Um antigo poema da minha época punk, haha, fui punk?
Ovelha Negra
Prematura, precoce, desmamada,
Agora sem futuro vivendo acorrentada.
Ovelha desgarrada, família alienada,
Agora sem destino ela fugiu de casa.
Pelo padrasto ela foi assediada,
A mãe já com medo ficava calada,
Matar a mamãe ele ameaçava,
Sentava num canto e lá ela chorava.
Chegava bêbado e a procurava,
Se ela se escondesse ele a encontrava,
Se ela se negasse ele a espancava,
Matar a mamãe ele ameaçava.
Em um belo dia o padrasto porre estava,
Brincando com a arma a mãe foi baleada
E ovelha negra que a arma encontrara,
Deu cinco tiros na cara do canalha.
Então a polícia que a porta arrombara,
A arma na mão de ovelha desgarrada,
Ela não tinha provas ela só chorava
E a trinta e cinco anos ela foi condenada.
Odeie, odeie seus inimigos,
Mate todos eles e ninguém vai se importar.
Ame, ame seus amigos,
São seus amigos e eles não vão lhe julgar.
Num dia desses, ela me disse,
“Quando olho para o sol, sinto a carne de meu corpo esfriar, sinto cada osso quebrar e ouço minha alma implorar, pedindo pra ela não voltar”
Ela virá como Frances,
Ela virá como o fogo,
Queimando a doença do povo,
Ela virá de novo,
Eu sei que virá
E quando vier será quando ninguém
Estiver a esperar
Ovelha Negra
Prematura, precoce, desmamada,
Agora sem futuro vivendo acorrentada.
Ovelha desgarrada, família alienada,
Agora sem destino ela fugiu de casa.
Pelo padrasto ela foi assediada,
A mãe já com medo ficava calada,
Matar a mamãe ele ameaçava,
Sentava num canto e lá ela chorava.
Chegava bêbado e a procurava,
Se ela se escondesse ele a encontrava,
Se ela se negasse ele a espancava,
Matar a mamãe ele ameaçava.
Em um belo dia o padrasto porre estava,
Brincando com a arma a mãe foi baleada
E ovelha negra que a arma encontrara,
Deu cinco tiros na cara do canalha.
Então a polícia que a porta arrombara,
A arma na mão de ovelha desgarrada,
Ela não tinha provas ela só chorava
E a trinta e cinco anos ela foi condenada.
Odeie, odeie seus inimigos,
Mate todos eles e ninguém vai se importar.
Ame, ame seus amigos,
São seus amigos e eles não vão lhe julgar.
Num dia desses, ela me disse,
“Quando olho para o sol, sinto a carne de meu corpo esfriar, sinto cada osso quebrar e ouço minha alma implorar, pedindo pra ela não voltar”
Ela virá como Frances,
Ela virá como o fogo,
Queimando a doença do povo,
Ela virá de novo,
Eu sei que virá
E quando vier será quando ninguém
Estiver a esperar
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009
MEU NOME É ARNALDO ANTUNES
Meu nome é Arnaldo Antunes
Num canto solitário
Um solitário ser
Tentando solitário
Não solitário ser.
O olho vê
O olho no espelho ver
O mesmo olho
Não olhar de volta.
O preso liberto
Está preso
Na prisão aberta
Da própria liberdade.
Tento escutar
O queres dizer
Dizendo o que quero
Sem te entender.
Corro de lugar algum
Pra lugar nenhum
Sem saber
Se quero mesmo chegar.
A luz ilumina
A lâmina iluminada
Pela luz
Que a ilumina.
A bola quando rola
Dá voltas
E voltas em torno
Do seu próprio eixo.
Superficialmente
O super-herói
Supera
O arquiinimigo.
Ligo pra você
Na certeza
De que quando eu ligar
Você vai atender.
A fé move montanhas
Pois se não move
A fé se move
Até a montanha.
A fome devora
Deveras fome
De feras
Insaciáveis.
Beija o beijo
Na boca fecha
E durante o beijo
Não entra mosquito.
Num canto solitário
Um solitário ser
Tentando solitário
Não solitário ser.
O olho vê
O olho no espelho ver
O mesmo olho
Não olhar de volta.
O preso liberto
Está preso
Na prisão aberta
Da própria liberdade.
Tento escutar
O queres dizer
Dizendo o que quero
Sem te entender.
Corro de lugar algum
Pra lugar nenhum
Sem saber
Se quero mesmo chegar.
A luz ilumina
A lâmina iluminada
Pela luz
Que a ilumina.
A bola quando rola
Dá voltas
E voltas em torno
Do seu próprio eixo.
Superficialmente
O super-herói
Supera
O arquiinimigo.
Ligo pra você
Na certeza
De que quando eu ligar
Você vai atender.
A fé move montanhas
Pois se não move
A fé se move
Até a montanha.
A fome devora
Deveras fome
De feras
Insaciáveis.
Beija o beijo
Na boca fecha
E durante o beijo
Não entra mosquito.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
ANOS 60 (MARCHINHA)
Anos 60 (Marchinha)
O carnaval,
O carnaval vai passar
Na avenida
Eu já vesti minha fantasia
Hoje a loucura está reunida.
E eu vou,
Eu sei que vou
Vou na ala dos malditos
Dos loucos e dos rejeitados.
E os junkies desmiolados
E os beatniks?
Oh abram alas pra Geração Beat
Viva a criação espontânea
Viva Burroughs e Kerouac
Os hippies, os beatniks.
E a alegoria?
A alegoria é nota dez
A primeira, a genuína
Salve a bandeira dos anos sessenta
Salve a nossa heroína.
E você?
Ah você
Você ainda era um bebê
Quando os seus pais
Ainda tomavam LSD.
Viva a viagem lisérgica
Viva o papo transcendental
Anos que não voltarão
Recordação desse carnaval.
O carnaval,
O carnaval vai passar
Na avenida
Eu já vesti minha fantasia
Hoje a loucura está reunida.
E eu vou,
Eu sei que vou
Vou na ala dos malditos
Dos loucos e dos rejeitados.
E os junkies desmiolados
E os beatniks?
Oh abram alas pra Geração Beat
Viva a criação espontânea
Viva Burroughs e Kerouac
Os hippies, os beatniks.
E a alegoria?
A alegoria é nota dez
A primeira, a genuína
Salve a bandeira dos anos sessenta
Salve a nossa heroína.
E você?
Ah você
Você ainda era um bebê
Quando os seus pais
Ainda tomavam LSD.
Viva a viagem lisérgica
Viva o papo transcendental
Anos que não voltarão
Recordação desse carnaval.
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GAROTAS QUE DIZEM SIM
Garotas que dizem sim
Se eu tivesse uma arma te convenceria a vir comigo
Ou te convenceria a tirar a roupa
E deitar na minha cama
E ainda dizer que me ama.
Se eu tivesse uma arma te desmentiria na tua cara
Contrariaria tuas teses mal formuladas
Tuas palavras desconhecidas
Traria à tona tuas mentiras escondidas.
Se eu tivesse uma arma seria fácil te calar
Quando você está a falar o que não deve
Quando você está a falar demais
Acabaria com tuas deixas tão radicais.
Se eu tivesse uma arma não me perguntaria sobre tuas roupas
Ou sobre dizer se está feia ou se está gorda
Deus me livre da sentença dessa escolha
É melhor te esconder dentro do quarto ou dentro de uma bolha.
Se eu tivesse uma arma eu seria teu senhor
Eu seria o “Senhor Supremo e Absoluto do Não”
A minha maior vontade sempre foi negar tuas vontades
Você não discutiria diante de uma arma ou de Hades.
Eu vivo num mundo tão bonito
Meu mundo das histórias sem fim
O mundo secreto dos desejos ocultos
O mundo repleto de sonhos adultos
O mundo das garotas que dizem sim.
Se eu tivesse uma arma te convenceria a vir comigo
Ou te convenceria a tirar a roupa
E deitar na minha cama
E ainda dizer que me ama.
Se eu tivesse uma arma te desmentiria na tua cara
Contrariaria tuas teses mal formuladas
Tuas palavras desconhecidas
Traria à tona tuas mentiras escondidas.
Se eu tivesse uma arma seria fácil te calar
Quando você está a falar o que não deve
Quando você está a falar demais
Acabaria com tuas deixas tão radicais.
Se eu tivesse uma arma não me perguntaria sobre tuas roupas
Ou sobre dizer se está feia ou se está gorda
Deus me livre da sentença dessa escolha
É melhor te esconder dentro do quarto ou dentro de uma bolha.
Se eu tivesse uma arma eu seria teu senhor
Eu seria o “Senhor Supremo e Absoluto do Não”
A minha maior vontade sempre foi negar tuas vontades
Você não discutiria diante de uma arma ou de Hades.
Eu vivo num mundo tão bonito
Meu mundo das histórias sem fim
O mundo secreto dos desejos ocultos
O mundo repleto de sonhos adultos
O mundo das garotas que dizem sim.
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ARREPENDIMENTO (SOBRE A NOITE PASSADA)
Arrependimento (Sobre a Noite Passada)
Não vai ser fácil assim me ter só seu
Não sou de ninguém é ninguém é meu
Não vai ser fácil descobrir meu nome
E o que você tem não sacia minha fome
Não pense que é fácil me enganar
Que é simples me dobrar
Pois tuas verdades nada podem provar
Você não me conhece
Não sabe do que eu sou capaz
É mais fácil sentir medo do que pena de mim
A não ser que você pague uma dose pra mim
Não pense que me dedicarei a você
Por uma vez acender teu cigarro
Por aceitar entrar no teu carro.
Deus nos fez pra sofrer
Nesse maravilhoso circo que é a vida
Resta-nos rir
Só nos resta quebrar a cara
Se não for comigo será com outro cara
Se não for esta noite será amanhã
Quando você escolher quem será teu carrasco
O cara que vai te fazer chorar
Que vai te empurrar no penhasco
Que vai te por pra baixo
Basta saber se tens coragem de aceitar
De jogar
E errar
Errar é divino
É sobre-humano
O acerto nos conduz ao engano
Mas errar nos faz aprender
Numa inútil certeza de vencer.
Quando a gente sabe que vai dar tudo errado no final.
Quando você implorar pra que eu fique
E aceite mais um copo
E aceite o teu corpo
Ainda em chamas pela noite em vão que tivemos
Quando o vinho está intragável
Você está com dor de cabeça
E eu rezando pra que você me esqueça
Por favor, me faça o favor de não lembrar
De esquecer
De me apagar
Esqueça os detalhes
E todo o resto
Minta se te perguntarem sobre mim
Diga que nunca me viu
Que sou ridículo
Feio
Alheio às tuas vontades.
A gente paga pra ter isso ou aquilo
O urso de pelúcia ou a caixa de bombons
O beijo é caro
O sexo é mais
E dizer,” te amo” não tem preço
Reconheço.
Não vai ser fácil assim me ter só seu
Não sou de ninguém é ninguém é meu
Não vai ser fácil descobrir meu nome
E o que você tem não sacia minha fome
Não pense que é fácil me enganar
Que é simples me dobrar
Pois tuas verdades nada podem provar
Você não me conhece
Não sabe do que eu sou capaz
É mais fácil sentir medo do que pena de mim
A não ser que você pague uma dose pra mim
Não pense que me dedicarei a você
Por uma vez acender teu cigarro
Por aceitar entrar no teu carro.
Deus nos fez pra sofrer
Nesse maravilhoso circo que é a vida
Resta-nos rir
Só nos resta quebrar a cara
Se não for comigo será com outro cara
Se não for esta noite será amanhã
Quando você escolher quem será teu carrasco
O cara que vai te fazer chorar
Que vai te empurrar no penhasco
Que vai te por pra baixo
Basta saber se tens coragem de aceitar
De jogar
E errar
Errar é divino
É sobre-humano
O acerto nos conduz ao engano
Mas errar nos faz aprender
Numa inútil certeza de vencer.
Quando a gente sabe que vai dar tudo errado no final.
Quando você implorar pra que eu fique
E aceite mais um copo
E aceite o teu corpo
Ainda em chamas pela noite em vão que tivemos
Quando o vinho está intragável
Você está com dor de cabeça
E eu rezando pra que você me esqueça
Por favor, me faça o favor de não lembrar
De esquecer
De me apagar
Esqueça os detalhes
E todo o resto
Minta se te perguntarem sobre mim
Diga que nunca me viu
Que sou ridículo
Feio
Alheio às tuas vontades.
A gente paga pra ter isso ou aquilo
O urso de pelúcia ou a caixa de bombons
O beijo é caro
O sexo é mais
E dizer,” te amo” não tem preço
Reconheço.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
MULHER DE BORRACHA
Mulher de borracha
Vendo mulher de borracha
Totalmente flexível
Boneca inflável
Personalidade maleável
Cérebro de látex
Descartável
Destacável
Acessórios de plástico
Tudo em PVC
Não come
Não dorme
Não fala
Motivo: Viagem
Vendo mulher de borracha
Totalmente flexível
Boneca inflável
Personalidade maleável
Cérebro de látex
Descartável
Destacável
Acessórios de plástico
Tudo em PVC
Não come
Não dorme
Não fala
Motivo: Viagem
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ERREI
Errei
Me lembrei de esquecer de lembrar de você
Me perdi pra me achar perdido sem entender
Me esclareci pra duvidar do que sei
Parei pra observar o sinal que avancei
Subi pra deixar mais alto meu baixo astral
Comecei pelo final
Me libertei de todo mundo pra me acorrentar aos seus pés
Criei na minha frente uma parede pra tentar ver através
Lutei vitorioso pra dessa vez alcançar a derrota
Fui o esperto se passando por idiota
Achei que essa doença em mim seria minha vacina
Busquei luz na lâmpada que não ilumina
Ninguém me disse que eu não tinha asas
E nem que eu não devia ir fundo em águas rasas
Pus a mão no fogo crente de não queimar
Dei meu palpite crente de não errar
Apostei certo de não perder
Acreditei no paraíso para um ser ateu
Mandei embora aquela que um dia me acolheu
Errei achando que estava certo
Ela estava longe quando estava perto
Jurei por ti uma mentira com a cara mais sínica
Falei pra ti uma verdade numa cena tão cênica
Tudo bem, admito não querendo admitir
Eu errei, mas o erro não foi só meu
Foi também teu
E dele
E dela
E daquela outra também
Errar é humano?
Não sei mais nada
O que é errar?
O que é humano?
Me lembrei de esquecer de lembrar de você
Me perdi pra me achar perdido sem entender
Me esclareci pra duvidar do que sei
Parei pra observar o sinal que avancei
Subi pra deixar mais alto meu baixo astral
Comecei pelo final
Me libertei de todo mundo pra me acorrentar aos seus pés
Criei na minha frente uma parede pra tentar ver através
Lutei vitorioso pra dessa vez alcançar a derrota
Fui o esperto se passando por idiota
Achei que essa doença em mim seria minha vacina
Busquei luz na lâmpada que não ilumina
Ninguém me disse que eu não tinha asas
E nem que eu não devia ir fundo em águas rasas
Pus a mão no fogo crente de não queimar
Dei meu palpite crente de não errar
Apostei certo de não perder
Acreditei no paraíso para um ser ateu
Mandei embora aquela que um dia me acolheu
Errei achando que estava certo
Ela estava longe quando estava perto
Jurei por ti uma mentira com a cara mais sínica
Falei pra ti uma verdade numa cena tão cênica
Tudo bem, admito não querendo admitir
Eu errei, mas o erro não foi só meu
Foi também teu
E dele
E dela
E daquela outra também
Errar é humano?
Não sei mais nada
O que é errar?
O que é humano?
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sábado, 26 de setembro de 2009
AÇÚCAR
Açúcar
Ela não é tão doce quanto parece
Mas ela gosta de fazer devagar
Gosta de ficar por cima
E se fazer de vítima.
É fácil gostar do mel
É fácil tocar o céu
Da boca quando adoça a língua lembrando os prazeres que se foram
Quando encosta os dentes onde eles jamais estiveram.
Geralmente eu falo
Quando eu não me calo
Quando não me fazes pequeno
A ponto de descer pelo ralo.
Quando teus gemidos quebram o silêncio
Fazendo as palavras terem gosto
No escuro o toque doce e ardente no teu rosto
Tentando calar a tua boca, pois incomodarás os vizinhos.
Agora minta na minha cara
Diga que teu doce veneno não é meu vício
É o próximo passo que eu darei
Em direção ao precipício.
Abro as portas para que você possa entrar
Na amargura do meu ocioso lar
Que você irá soprar e derrubar como o vento
Se eu não gozar dentro.
Então trocaremos
Saliva e suor
Sangue e mel
Pra pintar de vermelho o infinito do céu.
Com açúcar
Com afeto
Com tinta Sulvinil.
Ela não é tão doce quanto parece
Mas ela gosta de fazer devagar
Gosta de ficar por cima
E se fazer de vítima.
É fácil gostar do mel
É fácil tocar o céu
Da boca quando adoça a língua lembrando os prazeres que se foram
Quando encosta os dentes onde eles jamais estiveram.
Geralmente eu falo
Quando eu não me calo
Quando não me fazes pequeno
A ponto de descer pelo ralo.
Quando teus gemidos quebram o silêncio
Fazendo as palavras terem gosto
No escuro o toque doce e ardente no teu rosto
Tentando calar a tua boca, pois incomodarás os vizinhos.
Agora minta na minha cara
Diga que teu doce veneno não é meu vício
É o próximo passo que eu darei
Em direção ao precipício.
Abro as portas para que você possa entrar
Na amargura do meu ocioso lar
Que você irá soprar e derrubar como o vento
Se eu não gozar dentro.
Então trocaremos
Saliva e suor
Sangue e mel
Pra pintar de vermelho o infinito do céu.
Com açúcar
Com afeto
Com tinta Sulvinil.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
SEGUNDA-FEIRA
Segunda-feira
O domingo é uma tortura pra quem bebe no sábado
A segunda-feira então é o fim do mundo
É o fim que entra pelo avesso
É um mundo que desconheço.
O que é a segunda-feira senão o apocalipse
Um dia muito raro, dia de eclipse
Dia em que me obrigam a nascer de novo
O sol me obriga a sair do ovo.
A segunda-feira passa lenta
A mente quer, mas o corpo não agüenta
Os olhos não querem se abrir
E passam o dia inteiro ainda querendo dormir.
E volta o ônibus lotado
O trânsito engarrafado
O trabalho
O chefe mal-humorado.
Deus me livre morrer na segunda-feira
Minha alma não deixaria meu corpo
Por falta de disposição
De vontade
Se eu puder escolher
Quero morrer
Num domingo à tarde.
O domingo é uma tortura pra quem bebe no sábado
A segunda-feira então é o fim do mundo
É o fim que entra pelo avesso
É um mundo que desconheço.
O que é a segunda-feira senão o apocalipse
Um dia muito raro, dia de eclipse
Dia em que me obrigam a nascer de novo
O sol me obriga a sair do ovo.
A segunda-feira passa lenta
A mente quer, mas o corpo não agüenta
Os olhos não querem se abrir
E passam o dia inteiro ainda querendo dormir.
E volta o ônibus lotado
O trânsito engarrafado
O trabalho
O chefe mal-humorado.
Deus me livre morrer na segunda-feira
Minha alma não deixaria meu corpo
Por falta de disposição
De vontade
Se eu puder escolher
Quero morrer
Num domingo à tarde.
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Segunda-feira
O PREÇO
O Preço
O meu amor não está a venda
E por isso eu pago caro
Eu pago o preço do apreço de escolher
O meu prazer é cada vez mais raro.
A insubstância das coisas insólitas me agradam
E por isso não se paga nada
O prazer de te ouvir falando em línguas que desconheço
Qual é teu preço, pois todo mundo tem um preço?
O meu amor não está a venda
E por isso eu pago caro
Eu pago o preço do apreço de escolher
O meu prazer é cada vez mais raro.
A insubstância das coisas insólitas me agradam
E por isso não se paga nada
O prazer de te ouvir falando em línguas que desconheço
Qual é teu preço, pois todo mundo tem um preço?
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