quinta-feira, 5 de março de 2009
BLUES DAS MIL FACAS
Se você queria me ver sofrer
Se você queria me ver enlouquecer
Se queria me ver chorar
Você conseguiu
Se queria me ver na fossa
A razão que não é mais nossa
Eu como o pão que eu mesmo amassei
Agora dança sobre a lembrança
Do que um dia fomos nós
O sentimento que nos trouxe
Nunca nos deixará só
Não estaremos vivos pra contar
Pros nossos filhos a historia
De nós só restará à memória
Mas eu vivo
Eu vivo
Muito em mim mudou
Os que me conhecem
Conhecem-me tão pouco
E dizem que sou louco
Mas sou mais que um simples louco
Há mil armas apontando a minha cabeça
Minha alma implora para que eu esqueça
Há mil facas apontando o meu pescoço
Há mil dedos apontando pro meu rosto
Na minha cara,
A cara que não é minha
Que nunca foi minha
Minha TV me assiste morrer
Na triste espera de você.
quarta-feira, 4 de março de 2009
JAZZ NOTURNO
Jazz noturno
Jazz noturno,
A noite escura,
A luz da rua penetra na vidraça,
O frio da noite a embaça,
Desembaraça penetrante o olhar maligno da janela,
A loucura descansa abandonada numa cela,
Cena típica de um romance Noir,
Nada que um abajur não possa iluminar,
Polaroid amarelada num porta-retrato,
Um vestido branco à meia-luz do quarto,
Uma alma vendida,
Atirada, desinibida,
Com uma taça de vinho na mão,
Destilando o aroma com a mais pura intenção,
De sentir dentro do peito,
A falta de um coração,
Um jazz noturno como a contaminar,
O aroma doce de podre no ar,
Eu te pergunto:
- O que será de nós?
Se manchamos todos os lençóis.
Nada importa,
Tanto faz,
Se morremos jovens,
Desfrutando da luxúria e dos pecados mais,
Deixando sangue nas unhas,
Deixando esmalte na pele,
Não deixando histórias pra contar,
Não deixando pistas pra investigar,
Bêbados, ensandecidos, loucos, devorados, imundos,
Fazendo amor com a lâmina de barbear,
Deixando um jazz noturno,
A trilha sonora pro fim do mundo,
Convencidos de que as paredes é que causam a solidão,
Repousando teu corpo no chão,
Com a arma do crime na mão,
Sem assunto pra dialogar,
Sem argumento pra defender,
Eros e Ares,
Um jazz noturno me faz companhia nos bares.