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terça-feira, 24 de maio de 2011

EU DETESTO COCA LIGHT

Zeca baleiro - Eu detesto Coca Light

O pastor virou doleiro, dinheiro virou cultura,
poesia virou salário, vulgaridade, receita.
Deus me livre dessa seita cujo Deus é feio e triste
Se o belo ainda existe, o belo eu quero procurar.
Outono, verão, inverno, o mundo virou inferno.
Que o diabo pós-moderno, haja fogo pra queimar
Da cintura pra cima só visto a calça da rima,
só quero o que me anima, o imã que me atraia,
o fogo que me atice.

Uma vez meu pai me disse ?Meu filho, a vida é
um grande concurso de misse, alucinação de Alice,
pernas de Cyd Charisse procurando Fred Astaire?
Eu detesto George Bush desde a Guerra do Kwait.
Eu não quero que tu te vás, mas se tu quer ir-se, vai-te.
Quero adoçar minha sina, que viver tá muito diet.
Danação é cocaína, mesmo quando chamam bright.
Gosto de você menina, mas detesto coca-light.

Gosto de sair à noite de tomar um biri night
Jurubeba tubaína Johnny Walker Black White
Me afogo na cangibrina caio no tatibitáti
Tomo cinco ou seis salinas feito fosse chocolate
Engulo até gasolina mas detesto coca light

Fazem da boate igreja da igreja fazem boate
Põem veneno na comida cicuta no abacate
Eu cuido da minha vida não sou boi que vai pra o abate
Podem cortar minha crina podem partir pra o ataque
Podem me esperar na esquina mas detesto coca light

Deus é o juiz do mundo, ele apita o nosso embate.
Nem Carlos Eugênio Simon nem José Roberto Wright.
A partida não termina, prorrogação e penálti.
A torcida feminina dá o molho ao combate.
Aprendo o que a vida ensina, mas detesto coca-light.

Tolerância zero fome zero coca zero
No quartel do mundo eu sou o recruta zero
Quero quero tanta coisa
E só me dão o que não quero.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O VÍCIO VERSA

O vicio versa

Sou escravo de mim
Do meu próprio vicio
Do meu vicio de te querer
E de assim só pensar em você.

A abstinência me maltrata
Tua falta me mata
Me tranca num quarto escuro
Se afasta, mas não me curo.

Ter você é uma droga
Que me tira me transporta
Me faz, querer mais
Mas me deixa a alma torta.

Ter você , meu vício
Me faz voltar ao início
A beira do precipício
Acordar ao solstício.

Te desejar em suplício
Escalar um edifício
Tudo em teu benefício
Te festejar em comício.

Meu vício versa
Teu verso me vicia
Me faz rastejar
Me faz passar as horas da agonia.

Meu vício versa
Se contradiz
E vice-versa
Meu verso vicia.

terça-feira, 6 de abril de 2010

EU VI O DR. HOUSE CHORANDO NO JARDIM

Eu vi o Dr. House chorando no jardim

O quê me resta se tudo são flores
E se eu pergunto, elas nada respondem
Eu sei que as sufoco extraindo delas o teu perfume
Tentando dar vida e cor ao concreto cinza

Mas elas resistem como os santos no tempo
Como os sapatos gastos guardados no armário.
Como as armas da guerra guardadas no museu
Como as palavras do profeta
Certa como a fama pós-morte do poeta
Como as lembranças do verão
Como a primeira vez da garota de dezesseis.

E as borboletas que nunca encontram o que procuram
E se encontram vadias de beijo em beijo
Elas amam e desamam e pedem perdão se arrependidas
E estão enclausuradas nessa sensação de liberdade.

A não ser que suma do dia pra noite o jardim
Que Deus mande o fogo da purificação
Que os soldados marchem sobre a grama
Que os palhaços piromaníacos contracenem
Que armem sobre as flores o pão em circo
Que chova ácido ou as lágrimas russas de pão e paz
Que os tratores capitalistas dancem em celebração

domingo, 4 de abril de 2010

PACIÊNCIA

Paciência

A gente perde as chaves de casa
E acha a porta sempre trancada
A gente bebe e perde o juízo
E no caminho a droga da escada
A gente perde a hora da aula
Toda perda é um prejuízo.

A gente perde a memória
Perde o rumo da história
Perde o ultimo trem
Procura primeiro debaixo da cama
Acha o que não procura
E perde o que lhe convém.

Perde a cabeça e grita
E fala o que não devia
Perde o medo e salta
E acha no fim o chão
Perde a razão
E acha sozinho a solidão.

Quem procura acha
Se você assim perder algo
Não perca a paciência.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O CÉTICO

O cético

Você foi um homem mal,
Sentado na poltrona assistindo o jornal.
Disse que Deus não existe,
Só acreditava no que seus olhos vissem.

Mas você foi enganado,
Foi de santo a culpado,
Subiu do chão ao telhado,
Foi da razão ao pecado.

Viu que o mundo acaba
Em cada dia da semana,
Foi feliz
Como uma família americana.

Não escolheram Jesus pra guardar
O botão da bomba H,
Você vai mandar tudo pro ar
E me convida pra jantar.

MONSTRO

Monstro

Ela andou reclamando das goteiras das goteiras no teto,
Ele teve você bem mais perto,
Mas antes que eu aceite,
Todo o azedume do meu leite,
Já sem sono, mas deite.

Não diga que foi tudo fácil
Porque não foi,
Você não ficaria sem entender
E não morreria por razoes
Que lhe deixam viver.

Senhor seu monstro,
Seus escrúpulos não vieram atrás,
Pra poder refletir seus sinais,
Mas daqui a oito dias ou mais,
Seus sinais não irão refletir,
Mas a cabeça da boneca continua a cair.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A INCRÍVEL VIAGEM DE RAFAEL OLIVEIRA AO PAÍS DAS INCERTEZAS

A Incrível Viagem de Rafael Oliveira ao País das Incertezas

Se todo dia eu acordar com esta dor de cabeça
Pode ter certeza que um dia talvez eu nem amanheça
Que um dia talvez pra sempre eu esqueça
Que um dia eu desapareça.

De mim restará apenas o endereço
Não quero prece, não quero apreço
Quero um velório ao avesso
Somente com gente que desconheço.

Quero que comemorem com música e dança
Quero que ao menos uma vez na vida vocês deixem de pagar minha fiança
Nem quero lembrança
Quero bolo de aniversário, balões amarelos, quero que sejam crianças.

Não quero afeto, não quero carinho
Quero cantar Nelson Cavaquinho
Quero que me deixem sozinho
Quero encontrar só, o meu caminho.

Não quero saudade
Nem mentira, nem verdade
Nem outdoors de lembranças pela cidade
Nem carteira de identidade.

Se disserem que eu voltei, é mentira
Se disserem que eu morri, não se sabe
Se disserem que eu menti, é verdade
O amor mata, mas o ódio te deixa vivo atrás de vingança.