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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

MÚSCULOS E POESIA

Músculos e poesia


Queres mesmo medir tua força contra a minha?
Pois saiba que sou o psicólogo da força
Sigmund Freud da pancadaria
Drummond de Andrade da porrada
Cadeira cativa na academia
Não na Academia Brasileira de Letras
Mas na academia de musculação
Minhas mãos batem mais que Fernando Pessoa
E me exercito com a leitura e a escrita
Sou rápido e inciso como Quintana
E às vezes pesado como Burroughs
Ou perturbador como o Dos Anjos
Como os filósofos das artes marciais.



domingo, 2 de maio de 2010

AMNÉSIA

Amnésia

Eu ando evitando passar na tua rua
Pois muito me incomoda pensar em te encarar
Eu rasguei tuas cartas e tuas fotografias
Pois pra mim muito convém não poder mais lembrar.

Eu não sei dizer o que me incomoda
Mas agora é moda não ter nada pra dizer.

Eu ando evitando olhar na direção
Na mesma direção da qual se guia o teu olhar
Nem ouço mais as músicas que eu ouvia
Até Ratos de Porão me fazem relembrar.

Eu não sei qual é o meu problema
Só sei que é um problema não saber qual é.

Eu freqüento o mesmo bar
Por que ainda é o único que me fia a bebida
Que me enfia o dedo goela abaixo
E me trazer de volta à vida.

Quando eu não te vejo eu crio mais coragem
Coragem pra poder não mais te ver.

Eu bebo, pois bebendo eu posso te esquecer
Mas posso lembrar de você na hora de pagar a conta
Posso me deitar e sonhar contigo lembrar pra esquecer
Mas nunca vou deixar de me masturbar pra você.

Entenda apenas estou tentando te esquecer
e me faria um grande favor se você morrer.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O SOL

O Sol

Construí uma casa no sol
Uma casa construída de sal
Minha cama era um ninho de palha
E acendia num feixe de luz.

E todo dia eu era a fênix
Eu ressurgia da própria cinza
Morria nesse crepúsculo
Para dar à tarde o luto noturno.

Eu tinha os olhos incandescentes
Meu coração uma brasa
Minhas mãos fervilhavam insanas
Para acender o amanhecer.

O meu destino é queimar
É me desfazer em cinzas
É abrir os portões do inferno
É fazer tudo arder com o fogo.

Descalço sobre as faíscas
Eu nunca fazia fumaça
A chama fazia as pedras cantarem
Mas lavava com gasolina.

Como palitos na caixa de fósforos
Como palitos na caixa de fósforos...