Permito-me
Me permito gastar mais dinheiro com doces
Me permito admirar os brinquedos nas prateleiras das lojas
Me permito rir com desenhos e brincar brincadeiras
Pois não fui criança.
Me permito ser forte e não chorar diante das intempéries
Me permito desejar loucamente uma mulher e ainda olhar as saias que passam
Me permito gostar de futebol, de cerveja, de carro e mais mulheres
Pois não fui homem.
Me permito maquiagem, roupa decotada, vestido curto e jóias caras
Me permito ser desejado quando passo atraindo os olhares masculinos
Me permito amar sem medidas e sofrer por esse amor e chorar
Pois não fui mulher.
Nunca fui tanto nada a ponto de ser alguma coisa
Nunca fui ninguém a ponto de ser alguém
Se ser apenas basta não quero apenas ser
Se for pra ser um nada eu quero ser um nada livre pra escolher.