Blues da Chuva Ácida
Dois seres químicos no meio da noite
No meio da chuva e tragos de cigarros
Fecha o sinal, corpo fechado
Fecha os olhos, para a denúncia dos faróis dos carros.
Debaixo das marquises
Madames senhoras e meretrizes
Olham com desprezo
Desconhecem o amor
São meras atrizes
E são felizes
Dinheiro fácil
Sem suor e sem dor.
Me desculpem os doutores e seus assessores
Mas me sinto feliz amando contigo na chuva ou na cama
Cantando as canções ditas proibidas
Caminhando nossos sapatos em poças de lama.
Nas esquinas
Meninos e meninas
Não se arriscam
Têm pudor
E serão felizes
Somente quando a chuva passar
São todos passageiros
Com o desprezo no olhar.
Eu olho nos seus olhos suas pupilas dilatadas
Me comendo com o desejo que também habita em mim
E eu deixo sua boca desaforada invadir minha mente
E deixo sua chama eterna acender meu espírito no fim.
Expostos à radiação, a chuva é ácida e queima
É a nossa chuva, a água não apaga
E pela manhã ira corroer os monumentos ao sol
E toda noite as crianças com câncer terão que dormir no aerossol.
Dois seres mutantes exorcizando as roupas do corpo no meio da rua
A chuva é inútil, pois existe um fogo dos infernos em seus corações
Eu quero a revolução e digo não à censura, à ditadura
Eu quero a liberdade da tua prisão.
Se você me pedir eu levo minha cama pro meio da rua
E danço contigo o tango marginal até de manhã
E te deixo aquecida nas madrugadas
Eu sou seu bandido preferido e você é minha vilã.